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A questão do aborto tá definida, vamos pra outra?

Não vou enveredar pelos dogmas religiosos. Tão pouco vou me atrever nas discussões científicas de quando começa a vida.

A abordagem sobre tema envolvendo a candidata do PT é falsa. Pelo simples fato de que já está resolvida: ela é a favor do aborto. E não poderia ser diferente, posto que é filiada ao partido e, presume-se, siga seus estatutos e convenções. Assim sendo, não pode ter opinião diferente. Está lá, com todas as letras:

- Resoluções do 3º. Congresso do PT, pg 82, parágrafo 5º:

“defesa da autodeterminação das mulheres, da discriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem;”

Fonte: Site do Partido dos Trabalhadores - http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/c091207134809Resolucoesdo3oCongressodoPT.pdf

Pronto. Satisfeitos?

A questão em pauta é querer esconder a sua posição. Qual problema em ser “a favor” ou ser “contra”? Por que não é autentica e assume! Se enredou nas palavras, tentou sair pela tangente, desconversar, mas esqueceu e sua assessoria também, que temos a internet. E nela tudo fica gravado.

Mudar de opinião não é nenhum pecado. Basta aceitar novos argumentos, se abrir a novas idéias, ser transparente e ter integridade suficiente para admitir.

Perdeu a chance, agora é tarde. Fica claro que em questões polêmicas, se eleita, vai navegar de acordo com a maré. Não, não quero um governante que não assuma suas posições. Ou que tenha medo de rever suas convicções.

Pessoalmente sou contra o aborto. Há meios mais que suficientes para evitar a gravidez e acessíveis às classes menos favorecidas. Sim, sou favorável que as mulheres decidam sobre seus corpos. Sim, sou favorável ao aborto em casos especialíssimos, com diagnósticos médicos precisos que indiquem riscos a vida da mãe.

Mas defendo que a sociedade decida como um todo. Então, ao invés de agora, ficarmos discutindo o “sexo dos anjos”, o sensato e lógico é a realização de plebiscito em 2012, junto às eleições municipais (para evitar mais gastos do nosso dinheiro). E nos próximos dois anos, abrimos ampla discussão sobre o tema.

Até porque não será o futuro presidente que tomará esta decisão. Se não for pela via plebiscitária, será pelo novo Congresso que toma posse em 1º janeiro. E esta escolha, minhas amigas e meus amigos, já fizemos no último dia 3 de outubro.

Agora podemos ir para outras questões?

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