Onde está a criança?

11 11UTC outubro 11UTC 2010 2 comentários

sercrianca_01

Quando foi mesmo? Você lembra?
Qual foi a última vez que a viu?
Onde foi o “ponto de corte”?
Foi aos 10, 12 anos? 15, talvez?
Quando terminou a escola?
Quando fez vestibular?
Quando começou a trabalhar?
Quando tirou a carteira de motorista?
Quando deu o primeiro beijo?
Quando tomou o primeiro porre?

Quando foi a última vez que você correu descalço, pulou nas poças d’água, subiu nos muros, nas árvores, se lambuzou com algodão doce, se melecou comendo sorvete?

Ah, claro. São coisas de criança.

E quando foi que você matou aquela criança que ria de si mesma? Quando foi que você adquiriu este ar circunspecto, esse olhar sério, esse jeito adulto de ser?

Não sei você, mas eu mantenho viva aquela criança que fazia carrinhos de lata de azeite, que com 3 pedaços de madeira e rolimãs construía um carrinho de lomba. Que ainda adora tomar banho de chuva, brincar na água, fazer castelos de areia, andar de balanço

Ah, como é bom rir de mim mesmo.

E hoje me vejo refletido nos meus filhos. “O pai é muito palhaço”, dizem. E sou mesmo. Um crianção que se nega crescer. Gargalhamos até doer a barriga.

Minha imagem no espelho não captura o que levo na alma. Minha alma ainda está, talvez, na segunda infância.

Olhe bem dentro de você. Não, não olhe no espelho. Não está ali. Está mais fundo, ainda adormecida. Desperte-a, dê-lhe vida novamente. Saia com seus filhos, não importa a idade deles nem a sua, corra no parque, brinque.

Ridículo? Ridículo é fingir, ridículo é fugir, ridículo é julgar. É ter lá no fundo a vontade presa de fazer tudo isto e se conter.

Liberte-se. Viva, como as crianças sabem viver.

Garanto que você vai gostar. E não vai mais querer crescer.

Feliz dia, para sua criança interior.

CategoriasFuturo

A questão do aborto tá definida, vamos pra outra?

7 07UTC outubro 07UTC 2010 Deixe um comentário

Não vou enveredar pelos dogmas religiosos. Tão pouco vou me atrever nas discussões científicas de quando começa a vida.

A abordagem sobre tema envolvendo a candidata do PT é falsa. Pelo simples fato de que já está resolvida: ela é a favor do aborto. E não poderia ser diferente, posto que é filiada ao partido e, presume-se, siga seus estatutos e convenções. Assim sendo, não pode ter opinião diferente. Está lá, com todas as letras:

- Resoluções do 3º. Congresso do PT, pg 82, parágrafo 5º:

“defesa da autodeterminação das mulheres, da discriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem;”

Fonte: Site do Partido dos Trabalhadores - http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/c091207134809Resolucoesdo3oCongressodoPT.pdf

Pronto. Satisfeitos?

A questão em pauta é querer esconder a sua posição. Qual problema em ser “a favor” ou ser “contra”? Por que não é autentica e assume! Se enredou nas palavras, tentou sair pela tangente, desconversar, mas esqueceu e sua assessoria também, que temos a internet. E nela tudo fica gravado.

Mudar de opinião não é nenhum pecado. Basta aceitar novos argumentos, se abrir a novas idéias, ser transparente e ter integridade suficiente para admitir.

Perdeu a chance, agora é tarde. Fica claro que em questões polêmicas, se eleita, vai navegar de acordo com a maré. Não, não quero um governante que não assuma suas posições. Ou que tenha medo de rever suas convicções.

Pessoalmente sou contra o aborto. Há meios mais que suficientes para evitar a gravidez e acessíveis às classes menos favorecidas. Sim, sou favorável que as mulheres decidam sobre seus corpos. Sim, sou favorável ao aborto em casos especialíssimos, com diagnósticos médicos precisos que indiquem riscos a vida da mãe.

Mas defendo que a sociedade decida como um todo. Então, ao invés de agora, ficarmos discutindo o “sexo dos anjos”, o sensato e lógico é a realização de plebiscito em 2012, junto às eleições municipais (para evitar mais gastos do nosso dinheiro). E nos próximos dois anos, abrimos ampla discussão sobre o tema.

Até porque não será o futuro presidente que tomará esta decisão. Se não for pela via plebiscitária, será pelo novo Congresso que toma posse em 1º janeiro. E esta escolha, minhas amigas e meus amigos, já fizemos no último dia 3 de outubro.

Agora podemos ir para outras questões?

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